Brasil assume cadeira em subcomitê internacional que padroniza nomes de relevos submarinos

Leia Mais

Brasil assume cadeira em subcomitê internacional que padroniza nomes de relevos submarinos

Padronização auxilia em mapas, cartas náuticas e trabalhos científicos
09/08/2022
Por Capitão-Tenente (RM2-T) Luciano Franklin de Carvalho
Brasília, DF

Um esforço internacional tem sido feito para adoção de uma política de padronização de nomes geográficos de relevos submarinos, para que sejam utilizados em mapas, cartas náuticas, trabalhos científicos,  a fim de que todos, em qualquer lugar do mundo, falem a mesma linguagem   –  tal qual acontece com os relevos terrestres, onde os nomes de serras, morros, planícies e montanhas já fazem parte do vocabulário cotidiano das pessoas.

O mapeamento do fundo do mar ainda é um grande desafio devido às dificuldades de exploração  relacionadas à logística e ao alto custo para a coleta de dados, tanto no que diz respeito à operação de navios quanto aos equipamentos tecnológicos disponíveis. Costuma-se afirmar que se conhece mais a respeito da superfície do planeta Marte do que do fundo marinho de nosso planeta, tamanha a carência de informações disponíveis. O reconhecimento das características e peculiaridades dessas regiões oceânicas propicia uma melhor compreensão da biodiversidade, dos relevos, dos recursos e de suas possíveis utilizações.

Em prol desse empenho, em novembro deste ano, a Primeiro-Tenente (Quadro Técnico) Lorena da Fonseca Sampaio representará o Brasil na próxima reunião do Subcomitê sobre Nomenclatura de Feições do Relevo Submarino (SCUFN), o qual realiza a padronização e a nomeação das características dos relevos que estejam localizados além do mar territorial dos Estados costeiros. No primeiro semestre de 2022, a geóloga da Marinha do Brasil foi selecionada para ser a nova representante do País no SCUFN, que é formado por 12 integrantes especialistas em hidrografia e geociências, representantes da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Unesco (COI) e da Organização Hidrográfica Internacional (OHI). Além do Brasil, países como Coreia do Sul, Japão, México, Itália, Nova Zelândia, Malásia, China, Estados Unidos, Quênia, Austrália e França são membros do grupo.

Para a Tenente Lorena, que há quatro anos participa como observadora do subcomitê, a expectativa é contribuir mais ativamente no fórum e permanecer na vaga, que já foi ocupada pelo Brasil anteriormente, trabalhando de forma alinhada à visão da COI. “Espero atuar na divulgação da relevância do tema para a comunidade científica nacional e manter o espírito de cooperação entre os países que trabalham para ampliação do conhecimento e uso adequado do ambiente marinho”.

 


A militar Lorena é mestre em Geologia e serve no Centro de Hidrografia da Marinha - Imagem: Marinha do Brasil

 

Esta será a segunda vez que o Brasil fará parte do SCUFN. A primeira foi de 2008 a 2018, também com uma representante da MB, a Capitão de Mar e Guerra (Quadro Técnico) Ana Angélica Ligiéro Alberoni. A indicação é submetida à COI ou à OHI por meio do envio de currículo técnico e comprovação de atividades exercidas na carreira. O mandato é de cinco anos podendo ser prorrogado por mais cinco.

Porque nomear um relevo do fundo do mar?
A correta utilização dos nomes geográficos implica diretamente na efetividade da comunicação. Grande parte dos oceanos ainda é desconhecida, com regiões que possuem potenciais em diversas áreas, seja para fins de atividades energéticas, de exploração mineral, medicinal ou para desenvolvimento tecnológico.

“É importante salientar que, assim como a Diretoria de Hidrografia e Navegação tem submetido diversas propostas ao longo de décadas, os profissionais da área, pesquisadores e instituições também devem submeter novas propostas de feições submarinas da Margem Continental Brasileira, a fim de que se possa, cada vez mais, navegar sobre o fundo marinho conhecido, mapeado e nomeado, como ocorre na porção emersa do continente”, afirma a Capitão de Mar e Guerra Ana Angélica.

A especialista explica que as denominações têm a capacidade de correlacionar o ambiente às culturas, tradições e características de um povo ou região, homenagear pessoas ilustres, além de auxiliar na identificação e na descrição do relevo submarino. “O reconhecimento das características e peculiaridades dessas regiões oceânicas e sua associação com a identidade da nação também demonstram o reconhecimento da soberania de um país e a noção de pertencimento a uma região”.

É o caso da região conhecida como "Elevação do Rio Grande", onde diversas feições do relevo submarino foram recentemente nomeadas. A Elevação do Rio Grande é uma área submersa, a cerca de 1.400 quilômetros do litoral do Rio Grande do Sul, que faz parte do pleito brasileiro junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental da Organização das Nações Unidas (ONU), a fim de expandir o limite marítimo do País para além das 200 milhas náuticas. O local é rico em recursos minerais e tem potencial para exploração econômica.

Agência Marinha de Notícias